16.11.08

Uma lista de prazeres culposos

Domingo como sempre, pede cachimbo. Mas eu não pito e as 4:30 da tarde é noite na Ilha da Rainha. Nem ligo. Confesso que adoro estes domingos de chuvinha fina e rassaca em que eu durmo até doer, acordo, como, vejo filme, durmo, como, vejo filme, falo no telefone, entro na internet, vejo filme. Juro que vou escrever meu artigo pra amanhã e vejo outro filme. As vezes só, as vezes em dupla ou em bando.

"Sou uma lista de prazeres culposos".

Outro dia lia isso aí no profile de alguém no orkut, óbvio que eu fuço no orkut alheio, o que vem a ser mais um prazer culposo na minha infinita lista. É que esta coisa de prazer com culpa é minha goibada com queijo.

Num outro 'outro-dia' ouvi uma parada do tipo: "um pouco pode". Achei tão sensata esta constatação. Queria tanto ser sensata!

Mas tenho um lance com excessos. Tudo intensamente até o fim pra sempre. Ou: Nada em hipótese alguma nunca de jeito nenhum jamais. Radical. É ou não é e pronto. Ponto.

Não sou de tomar uma cerva, tomo logo 6 garrafas e vou embora bêbada. Não aguento ficar na praia umas 2 horas, passo logo o dia inteiro e volto pra casa ardendo e bêbada. Comer 2 bombons de uma caixa é tarefa impossível para minha pessoa, tenho que devorar a caixa toda. Detesto coisa pela metade, desperdício, reserva...gosto de ver o fim. O fundo. O inteiro.

De-tes-to metades. Éáááááakatiiiiiiiii. Inclusive gente normal e vida mais ou menos. Sorriso blasé. Pano de pia. Telefone ocupado e 'colega'.

Mesmo que os fins me levem aos fundos. Mesmo que o último bombom da caixa venha com uma arroba de culpa e minha consciência pesada me arraste pro fundo do poço.

Economia é uma palavra que me causa náuseas. Não porque eu não ache o ato necessário, mas porque ela faz parte dos niveís de disciplina que jamais consiguirei atingir. Eu esbanjo. Se minha fortuna for 5 esbanjo comprando o vinho de 4. Se minha fortuna for 50 esbanjo comprando 8 vinhos de 4, convido meus amigos e radicalizo. Se minha fortuna fou 4 vou até convent Garden de Metro. Se for 400 compro uma passagem pra Israel.

Se economizo 5o centavos pra comprar uma água na rua, fico com a garganta seca e depois acabo gastando 5 pila numas pastilhas.

Pra que economizar vida? Salvar é uma palavra em castelhanho e em inglês que tem os mesmos própositos e eu prefiro. Soa mais coerente. Você salva um tempo, um dinheiro, uma opinião e depois, aquilo te salva de volta. Ação e reação.

Talvez a reação do prazer seja inevitavelmente a culpa. Talvez a culpa esconda em seus entremeados um pouquinho de prazer. Acho mesmo que o prazer não se concretiza totalmente sem a culpa.

Enfim, Desculpa!

Sou uma lista de prazeres culposos sem fim. Amo e odeio ser assim.

Sat Nam ;)

2 comentários:

rafa disse...

Não é vc... sou eu, juro!
Tá ficando chato tanta identificação, acho que vc é a outra que há em mim... isso sim; ou será que somos irmãos separados no nascimento?! rsrs
Adorando o ritmo frenético.
Beijo

Juju disse...

Loka! Também amo e odeio ser exagerada. Também odeio o morno, também amo demais, me entrego por inteiro, vou até fundo, me culpo por tudo, me desculpo o tempo todo. Como demais. Mas porque amo demais comer. Exageradamente dramática, e exageradamente feliz. Ai, como eu sofro! Ainda bem sou(somos) assim.