23.2.09

Sem título

A pessoa tem que saber o que quer. Se a pessoa não sabe o que quer, tem ao menos que saber o que não quer. Então busca. Procura. Experimenta. Imagina. Espera. Vive. Se joga. Confunde. Despera-se. 
Quantos litros de lágrimas e quantos tubos de pasta de dentes são gastos entre os sorrisos e prantos que trilham sonora a vida? A procura. As perdas. Os ganhos. O labirinto do auto-conhecimento sem medida.
Expressar-se sem saber como, sem ser para olhar algum, é vão. Mas, para além de vão, é dolorido, clichezento e papel de vítima.
No eterno procurar-se, nunca há um achar pleno, completo, constante ou infinito. No radicalismo de existir não há lugar para rótulos, embora os padrões sufoquem nossas almas, provoquem nossas ânsias, cerquem nossas saídas.
A pessoa tem que saber o quer. E se não souber nem ao menos o que não quer, ou viver a mudar de ideias sobre si mesma, seu próximo passo, seu capítulo seguinte, a todo instante, então a pessoa deve ao menos procurar curar-se, aceitando sem medo todos os "não seis" que se apresentem no seu espelho.
E pela manhã, quando desperta, a pessoa que não sabe nem o que quer, nem o que não quer, abre os olhos de maneira exatamente igual ou completamente diferente e respira o novo dia como uma surpresa que começa de si para si.
A pessoa que não sabe ao certo, enche o peito da dor confusa e leva a vida feito um fardo, carregado de aventuras ou feito uma pipa, sem linha nem tristezas. A pessoa que não sabe-se simplesmente por ter exaurido a busca pela tentaiva de compreender-se, aceita a mais profunda e libertadora verdade: a de apenas ser.
Eu não me sei. Tu não te sabes. Que nos curemos nós, para que evoluindo regressemos a ausência de títulos. A eminência de atitudes. A coerência de personalidades geniais, artísticas, desafiadoras e reais.
Sincerade, na cara. Na coragem. Por este e por todos os caminhos que tem coração. Ainda que não tenham sentido, nem setas, nem placas, nem contra-mão.
A pessoa que não se sabe, sabe-se tanto que leva no peito uma embriagues constante, uma certeza inexistente e uma verdade perplexa: o AMOR.

E a necessidade de gritá-lo.

Sat Nam ;)

Um comentário:

Cássiacy disse...

OI. Estava procurando uns sites sobre Londres e achei seu blog. Estou me programando para jogar tudo pro alto e ir passar um tempo por ai no final do ano. Gostei do seu blog e dos seus textos.
Um abraço,
Cássia