23.6.08

Esse caminho tem coração

Há um certo estado, dentre os tantos de ser e estar, que culmina em ser consciente. Não sei sé quadrado ou retângulo essa forma de um sentir agudo em que o encaixe fecha e abre no mesmo ponto de um qualquer perfeito círculo.

Em cada encontro uma coincidência. Embora NADA seja por acaso. Os milagres são singelos, porém constantes. Simultâneos.

A beleza das horas conjugada ao cansaço não suga. A força vem de um lugar antes oculto, agora revelado, desbravado, escancarado. Um lugar que trilhava o caminho da euforia e, nesse momento, leva de forma quase plena a um tal conforto.

Um saber reservar para destribuir melhor. Sem reservas e sem desperdício. Uma sensatez de coração. É como se de repente mais um saco de coisa começasse a fazer o sentido que sempre representou.

O sopro. Que não é nem alma, nem corpo, nem mente, nem espírito. Que não é apenas verdade, apenas amor, apenas todo, apenas um. Que é. E simplesmente é.

O entre que aproxima no espaço ideal, no momento perfeito, da maneira mais harmoniosa. Realmente é. E tudo passa a acontecer.

O sopro que demanda respiração profunda, calma, doses boas de disciplina e auto-conhecimento. O sopro que mediante a incessante vigilância É. E simplesmente é. A mais pura essência do SER.

Simplesmente é... EU SOU.

SAT NAM ;)

17.6.08

Atchiiiiiim

Deus te abençoe!
Bless you!
Jesus!

Em todas as línguas que eu conheço - são poucas, mas são algumas - depois de qualquer "atchiiiim", sempre decorre uma palavra divina, relacionada a Deus ou benção.

Quando será que o espirro tornou-se algo assim tão sagrado?

A pessoa toma um tombo e ninguém fala nada do veio religioso. O cara prende o dedo, bate o joelho, quebra a unha e sempre berra um belo palavrão. O que será que o tal do espirro fez, passado atrás, para merecer tamanha posição sacra?

Bem, a pergunta está lançada, se alguém souber a resposta, agregue-me please. Se alguém souber como se responde ao "atchiiiim" em alguma outra cultura, agregue-me faça o favor. E se ninguém souber nada que agregue, eu agrego uma dica pró-espirro:

Quando der aquela vontade de espirrar, olhe pra luz, juro que funciona. Por que espirro frustrado, não há deus que abençoe!

Sat Nam ;)

7.6.08

Licença Poética

( azul verde branco lilás traço preto)

Com licença poética você não pode dirigir, mas pode viajar. Você não pode ter um master card, mas pode ter todas as coisas que não têm preço. Você não pode doar sangue, mas pode doar alma, energia, vida.

Com licença poética você pode levantar da mesa quando o papo estiver lá pelos Ladens de Bush e Lula sem ser taxado de ignorante (afinal você é poeta). Você pode chegar um pouco atrasado sem levar a culpa por isso (já que você é artista).

Você pode mudar seu caminho dez mil vezes (por ser confuso). Pode usar cor-de-rosa com abóbora (pois você é autêntico). Tem o total aval para gargalhar em horas inoportunas (não sabe se portar). Tem descontos incríveis em qualquer tipo de teatro, exposição ou mostra (você é da classe). Pode alterar seus planos a qualquer momento (você nunca sabe o que quer).

Beber além da conta não é um problema (você não se controla). Falar além da conta é totalmente normal (tem tanto pra dizer). Sorrir além da conta é aceitável (ela é otimista!). Chorar também (ele é muito sensível).

Falar de amor pode. De comida pode. De sexo pooooooode. Falar de Luz pode, de Buda pode, de meditação pooooooode. Falar de arte pode, de si mesmo pode, da natureza pode, do outro não pó-dê.

Isto não pode de jeito nenhum. A licença poética te coloca num determinado pedestal social. Você é uma companhia interessante, uma amiga querida, um paquera misterioso, um filho alternativo, um aluno interessado, um colega diferente, um visinho ousado...agora, não venha você com essa sua tropicália modelo 2008 palpitar na vida alheia. Principalmente se este outrem não possuir licença poética.

Embora adorem sua exentricidade, os não portadores desta inteligência artística, jamais aceitariam um conselho seu, afinal, quem tem licença poética não têm o menor talento pra outra coisa que não as metáforas da vida.

Ah sim, há exceção. Eles lhe procurarão quando apaixonados. Com os olhos brilhando de compreenção acharão lindos os seus versos, embriagar-se-ão de seus fonemas, ficarão viciados em seus não-esquemas.

Até que o outro não os seja. Não exatamente aquilo que seu egoísmo fantasiado de amor esperava, então, nessa hora, eles rasgarão seus poemas, odiarão sua falta de métrica e retribuirão seus conselhos com a sentença: "coitado, é poeta".

Peço aqui, oficialmente, licença poética para poupar minha aura do sofrimento barato, oferecer meu coração e meus ouvidos a quem necessite, espalhar meu sorriso por aí a fora e conhecer cada cabide e cada gaveta do mundo, ser amor, dar amor, cantar amor, falar amor...amar!

E, por favor, não se esqueça de me criticar se eu por sequer um instante, esquecer de poetizar.

SAT NAM ;)

17.5.08

Criatura de histórias

Ando com uma necessidade absurda de escrever. Tão absurda que não tenho escrito nada. Embora tenha descoberto.

Ando criando mentalmente textos maravilhosos sobre os mais variados temas: desde a amiga Clarinha, ao lado oculto do Amor, nada tem passado desapercebido aos meus atentos sentidos.

E não é que de repente uma lavoura inteira de coisas passou a fazer sentido!

Ás vezes pesado, outras horas leves, porém, tudo sempre encaixado.

Vou me emocionando com as entrelinhas do dia, a alma do livro, a simplicidade das coisas e o cólo da vida me parece, honestamente, o lugar mais acolhedor da Via Láctea.

Este tipo de coisa deve se dar ao fato - antes raro em minha vida - de um alinhamento total dos chacras. Sim, tal qual planetas, entre nadis e a correria dos dia-a-dias eles encontram algum caminho que a gente sem querer-querendo oferece e "pimba", nos devolvem algumas das mais ricas vivências.

Este tipo de alinhamento é uma verdadeira sensação de encaixe. Ressoa! Como se dentre as 2 toneladas de chaves a gente tivesse encontrado aquela que abre o portal. Como se entre milhares de camisetas com asas a gente finalmente tivesse achado aquela que nos veste tão bem. Até emagrece!

Daí eu sinto, penso, analiso. Filosófo, reflito e faço das minhas horas verdadeiras sessões intermináveis de terapia. Passeio por todas as linhas, faço Yung dar as mãos à bioenergética, coloco Freud olho no olho com Gestalt. Deito o Reike no divã, enfio Pablo Neruda, Clarisse Lispector, Platão e Cazuza todos no mesmo saco.

E danço.

E canto.

Saio fluida por aí compondo obras literárias fictícias completas só sobre o Real Sentido da Vida. Ivento um milhão de futuros. Poetizo todo e qualquer passado. Maquio o que for necessário, perdôo o que não era possível e me inundo de uma coragem leal e concreta pronta pra virar este monte de linhas que não diz nada pra ninguém e, no entanto, diz tudo pra mim.

Pés no chão.

É isso, sou uma autora preguiçosa que detesta fazer revisões, tem horror de trocar tudo que escreve pela versão melhor daquilo. Revisar. Re-visar. Revis-ar. Fico só com o ar. Respiro fundo pelo nariz, me concentro no ponto entre as sobrancelhas e não re-viso (quase) nada.

Prefiro a versão instantânea-espontânea. Quando os instintos estão á flor da pele da ponta dos dedos e o teclado vira o palco perfeito para o dedilhado compulsivo.

Desisto de querer ser mais. Eu quero agora. Quero falar de mim sem rodeios, sem classe literária. Quero contar o que experimento. Dedurar meus passos. Dividir minhas angústias nem que seja com esta tela. Registrar. Poder viver duas vezes, uma eu, outra ela.

Desisto de ser autora, enfim! Eu sou uma simples relatora de mim. E nesse agora só sei ser assim.

Tiro esta carapuça que não me serve e ao invés de vestir a capa pesada da frustração, respiro um alivio novo, certifico-me em "Auto-reportagem". Pros cambáu a métrica, a estética, a tétrica eu que só me crítica.

Sou um personagem real. Sou uma criatura de histórias.

Eu vivo. Eu sinto. Eu delato.

Eu, do meu jeito, pra mim. Pois a verdade é que a gente se esquece de 80% de tudo o que se passa e os outros 20% confundem-se entre si e seria uma pena se eu não lembrasse desse tanto tudo todo tendo tanto todo tudo.

Intensa e sinceramente, de mim pra Eu. Por que se não escrevo, não sou. Já que é nestas inspirações entre uma palavra e outra que encontro cada qual que é em mim.

SAT NAM ;)

Ancore-se e fique para sempre

De repente uma raiva me cavucou. Surtei. Surtei. Surtei. Ela sumiu. Passou. Foi-se pelo mesmo ralo que ela própria havia destampado. Deixou um espaço limpo, novo, aberto, cheio de vontade de alugar-se para uma coisa boa - as partes da gente vez e outra expulsam seus inquilinos mal pagadores e põe-se a exposição para novos.

Cheia de esperança, esta corretora aqui tá atrás de uma coisa bem do bem para morar ali. Num contrato de experiência, apareceu (ou reapareceu?) uma Coisa Boa, dada a sorrisos aleatóreos, papos-furados cheios de dedicação, idéias brilhantes por um mundo melhor e, claro, sempre exalando um cheirinho singelo e intenso de sensibilidade e gratidão.

Bem, talvez eu decida vender este quarto de mim pra ela. Ou este quinto ou este sétimo. O que me importa é que ela vire sócia vitalícia e majoritária do clube-empresa que venho a ser. Joga sua âncora Coisa Boa, esta aqui é sua derradeira morada.

Prometo que se continuar tão emocionante e sincera como vem sendo, dentro em breve sedo-lhe habite-se para que construa um puxadinho. Mais um banehiro até. Quem sabe ano que vem possa adquirir o terreno ao lado e construir uma bela piscina e um exímio espaço gurmet ou atão sonhada salinha de meditação?

Olha, não é da boca pra fora não, Coisa Boa, se você realmente continuar tão confiante, segura e corajosa...nunca negarei-lhe uma gota de meu sangue. De fato, posso até dar-lhe a chave da minha alma, a senha da minha mente, o telefone dos meus maiores medos e você toma conta de tudo. Pode dirigir minha vida com toooodo prazer.

Contudo Coisa Boa, sinta bem seu desafio. As ocilações energéticas proporcionadas pelas coisas loucas suas vizinhas, provocam coisas descontroladas neste condomínio que tanto busca a harmonia e o equilíbrio.

Sem mais, deixo-lhe assim. A lá vonté. Desfaça suas malas, escolha as cores de suas paredes, pendure seus quadros aonde bem entender. Só, por favor, não desanime se a gritaria da vizinhança for até tarde madrugada a fora, se jogarem pensamentos negativos no seu quintal, ou até mesmo murcharem de inveja suas belíssimas orquídeas. É tudo auto- boicote destas repetidoras de padrões.

Contra isso, Coisa Boa, nada melhor que um daqueles seus Nag Champas poderosos, a rotineira saudação ao sol e dá-lhe terapia.

Ah sim, e não se esqueça de mim, que sou muito mais do que a síndica, sou sua fã e consumidora número um, afinal, olhos encharcados de esperança numa qualquer manhã de sexta-feira é incrivelmente Divino.

SAT NAM ;)